SESC SÃO PAULO RECEBE SOMBRAS, NOVA CRIAÇÃO DO ENCENADOR PORTUGUÊS RICARDO PAIS De 13 a 22 de janeiro, no SESC Pinheiros – Teatro Paulo Autran

Ricardo Pais retorna ao teatro Paulo Autran do SESC Pinheiros trazendo Sombras - A nossa Tristeza é uma imensa Alegria, sua mais recente criação e onde mescla fala, canto, vídeo e dança para construir um espetáculo cênico-musical que evoca o imaginário e o ideário português. Sombras fica em São Paulo entre 13 e 22 de janeiro e segue para o SESC Santos em duas apresentações (dias 28 e 29) na segunda edição do Mirada – Ocupação Portugal.

Ricardo Pais, que em 2009 ocupou o teatro Paulo Autran comTurismo Infinito, espetáculo criado a partir de textos de Fernando Pessoae de Ofélia Queirós, faz em Sombras – a nossa Tristeza é uma imensa Alegria o uso da palavra para criar sonoridades poéticas e para chamar à memória estados de espírito e sentimentos, alternando a dança e o canto.  No espetáculo, o fado é cantado como se fosse um poema dito e os poemas - textos base de Fernando Pessoa, Almeida Garrett, António Ferreira ou Teixeira de Pascoaes, entre outros clássicos da dramaturgia portuguesa -- revestem-se de música, contracenando com eventos inesperados.

“Este é um espectáculo sobre a perda, o sofrimento, o amor perdido, interditado. Dizemo-lo, cantamo-lo, dançamo-lo para vocês, porque a vossa alegria nos redimirá sempre da nossa profunda tristeza”, diz Ricardo Pais.

Com produção do Teatro Nacional São João, de Portugal, foram convidados criadores portugueses de expressão, entre os quais se destacam Mário Laginha (direção musical e criador da trilha), Paulo Ribeiro (coreografia), Fabio Iaquone (vídeo), José Manuel Barreto e Raquel Tavares (fado) e os atores Emília Silvestre, Pedro Almendra e Pedro Frias e os bailarinos Mário Franco, Francisco Rousseau e Carla Ribeiro.

Repercussão:

“Em Sombras, Pais continua a repensar teatralmente as imagens, reais ou inventadas, em torno da nação portuguesa ao longo do tempo. O ponto de partida é um verso do seu compatriota, o poeta Alexandre O’Neill (1924-86): Portugal, questão que tenho comigo mesmo. Potências literárias - do quinhentista António Ferreira, o dramaturgo da tragédia A Castro, a Almeida Garrett, Fernando Pessoa e poetas contemporâneos –, formam o texto. Na composição plástica e sonora desse universo múltiplo entram dança e vídeo, fado e fandango. […] Sombras foge ao realismo documental e à exaltação passadista em favor da exposição poética dos contrastes de Portugal.”

Jefferson Del Rios – O Estado de S. Paulo (12Nov2010)

(convidado do TNSJ para a estreia no Porto)

“Ninguém estaria em condições de imaginar a qualidade e a dimensão do passo passível de ser dado por Ricardo Pais após a criação de um espetáculo tão poderoso como Turismo Infinito. Ninguém estaria preparado para antecipar um regresso tão ancorado na alma lusa e, ao mesmo tempo, tão distanciado no olhar irônico e sutil com que encena esta insistência em construir um discurso sobre o modo como nos subjugamos ao destino. A ninguém teria ocorrido que a nossa tristeza, como traço de identidade, e afinal uma imensa alegria. Sombrase um profundo passeio pelas veredas onde se constrói o retrato de um povo.”

Valdemar Cruz Expresso

“Com Sombras, somos ao mesmo tempo fadistas e fandangueiros, cantando e rindo em cima desses mortos vivos que edificaram Portugal – mas também em cima do patrimônio pessoal e coletivo que, desde Ninguém e Saudades: Um Hetero-Cabaret-Erosatirico, experiências fundadoras de 1978, Ricardo Pais foi construindo, e portanto desconstruindo. Sombras – A nossa tristeza e uma imensa alegriaé o ultimo capitulo desta descida aos abismos do modo de ser português, que nas mãos de qualquer outra pessoa podia ser só uma operação demolidora, mas que nas mãos de Ricardo Pais também tem um efeito regenerador. […] E um dos espetáculos mais complexos de Ricardo Pais – um prodígio de engenharia teatral.”

Inês Nadais Publico

Ricardo Pais

Nasceu em 1945. Foi Diretor do Teatro Nacional São João entre 1996 e 2009, com um interregno de dois anos. Do seu percurso de encenador, iniciado em Londres em 1972, faz parte mais de 50 espetáculos teatrais e criações cênicas. Sem programar, acabou por se ocupar da mais alta literatura em língua portuguesa, trabalhando autores como Fernando Pessoa, Padre António Vieira, Almeida Garrett, António Ferreira e Gil Vicente. A palavra, a língua e a literatura tornaram-se, aliás, o eixo ético de toda a sua ação, quer como encenador quer como Diretor do TNSJ. Vê-se como “encenador de música”, tendo nela encontrado uma fabulosa capacidade de libertação de imaginários cênicos: citem-se os casos de Raízes Rurais. Paixões Urbanas (1998), um retrato melódico de Portugal encomendado pela Cité de la Musique, com direção musical de Mário Laginha e de Cabelo Branco é Saudade (2005), onde recuperou o fado tal como era cantado antes de se ter tornado espetáculo.

Quando a gente vai lá fora

Sombras é uma etapa, provavelmente a última, de um percurso – teatral, como seria de esperar – sobre o Fado. Por muito que eu queira teorizar este espectáculo, é apenas um espectáculo. Se ele deve muito aos textos, alguns deles seminais da literatura dramática portuguesa, e por aí se parece com Teatro, no fundo ele não faz mais do que fechar um percurso muito peculiar à volta das hipóteses de encenação do Fado. Fado que estabelece, afinal, o mood de Sombras e se constitui no seu próprio tema. Nessa condição, e por isso mesmo, o Fado é o infinito mistério desta experiência.

Desde 1994, ao longo dos anos, fomos fazendo aproximações do Fado ao palco, entendendo este último como lugar de regras e exigências especiais. Quisemos com isso questionar – questionar é sempre a melhor forma de homenagem – a dramaticidade deste modo, por vezes sublime, de canto.

Como todos os “cantes”, o Fado vive mais da inteligência e inspiração dos seus intérpretes do que dos múltiplos poetas e compositores que a ele aportam ou por ambição, ou por amor, ou por ambos.

Sombras, adiantemos já, celebra alguns extraordinários poemas até agora por cantar ou dizer, e alguns poetas maiores que dialogam, em aparente facilidade, com os momentos mais elaborados da dramaturgia histórica (do século XVI ao século XX).

Fugindo à onda poético-épica de algum Fado semiletrado do pós-revolução (1974), aos caciques do comércio fadista e às furiosas dramáticas do estilo pós-Amaliano, Sombras tenta esfumar a fronteira entre dito, cantado, tocado – corporizado no único lugar em que nenhuma aliança é uma mistificação. Esse lugar é o próprio palco dos nossos fantasmas lusos.

Fomos descobrindo, em alguns dos textos de raiz mais lendária do Teatro Português, o cerne melodramático, os esquemas simples, os estilos e os temas que informam ou se destilam historicamente na canção de Lisboa. Em Sombras, o Fado (como o texto, a dança ou a música) recusa a autoridade dos tradicionalismos de pacotilha para rodopiar livre de toda a autocomplacência na biografia de Cena de todos e de cada um dos artistas desta estranha trupe que aqui rerreúne. É isso que faz de Sombras (apesar de fragmentário, um pouco narcísico e duramente catártico) o espectáculo da minha vida, a minha história de cordel; com alguma sorte, o meu fatum – o meu destino. Destino agora cumprido, a pedido de vários amigos* deste Brasil sempre inesquecível.

Tudo contabilizado, Sombras foi minuciosamente guionado por mim e Manuel Tur como uma dramaturgia informal, em que, porém, instinto e obsessão técnico-narrativa nos cansaram ao longo de quase um ano. Não há nada que não se confesse a um país que, graças a Deus, não conhece a culpa: este é um espectáculo sobre a perda, o sofrimento, o amor perdido, interditado. Dizemo-lo, cantamo-lo, dançamo-lo para vocês, porque a vossa alegria nos redimirá sempre da nossa profunda tristeza.

Abaixo o negócio a que ameaçam reduzir o território do amor e do respeito, do engenho e da fraternidade cultural! Abaixo tudo o que esbata a nossa diferença e o sentido cultural da nossa herança linguística comum! Valha-nos o Diabo, com todas as seduções do vosso maravilhoso inferno tropical.

Ricardo Pais

Porto, Dezembro de 2011

Sombras

a nossa tristeza é uma imensa alegria

uma criação de Ricardo Pais

vídeos Fabio Iaquone, Luca Attilii

música original e direcção musical Mário Laginha

coreografias Paulo Ribeiro

cenografia Nuno Lacerda Lopes

figurinos Bernardo Monteiro

desenho de luz Rui Simão

desenho de som Francisco Leal

voz e elocução João Henriques

consultor musical (fados) Diogo Clemente

guião e encenação Ricardo Pais

assistência de encenação Manuel Tur

interpretação José Manuel Barreto, Raquel Tavares (fadistas); Emília Silvestre, Pedro Almendra, Pedro Frias (actores); Carla Ribeiro, Francisco Rousseau, Mário Franco (bailarinos); Mário Laginha, Carlos Piçarra Alves, Mário Franco, Miguel Amaral, Paulo Faria de Carvalho ou Diogo Clemente (músicos); Albano Jerónimo, António Durães, João Reis e Teresa Madruga*

produção TNSJ

em co-produção com Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato, São Luiz Teatro Municipal

colaboração OPART

classificação etária Maiores de 14 anos

INFORMAÇÕES À IMPRENSA

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SERVIÇO

SOMBRAS - TEATRO NACIONAL SÃO JOÃO

Dia: 13/01, 14/01, 15/01, 18/01, 19/01, 20/01, 21/01, 22/01. Quarta a sábado, às 21h. Domingos, às 18h.

Local: Teatro Paulo Autran

Duração: 120 minutos

Classificação etária: Não recomendado para menores de 14 anos

Capacidade: 700 lugares

Ingressos: R$ 24,00 (inteira); R$ 12,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 06,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)

Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.

Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC, a partir de 30/12 às 14h.

SESC Pinheiros

Endereço: Rua Paes Leme, 195.

Horário de funcionamento da Unidade: Terças a sextas, das 13 às 22h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

Horário de funcionamento da Bilheteria: Terça a sexta das 10h às 21h30. Sábados das 10h às 21h, domingos e feriados das 10h às 18h30.

Tel.: 11 3095.9400

ESTACIONAMENTO COM MANOBRISTA (VAGAS LIMITADAS): Veículos, motos e bicicletas.

Terça a sexta, das 7h às 22h; Sábado, domingo, feriado, das 10h às 19h

(Horários especiais para a programação do teatro).

Taxas: Matriculados no SESC: R$ 6,00 nas três primeiras horas e R$ 1,00 a cada hora adicional;

Não matriculados no SESC: R$ 8,00 nas três primeiras horas e R$ 2,00 a cada hora adicional;

Para atividades no Teatro, preço único: R$ 6,00;

Para informações sobre outras programações www.sescsp.org.br

SESC Pinheiros nas redes:

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Trecho -- Entrevista com Ricardo Pais.

Por Pedro Sobrado.

“Armamos uma ratoeira ao nosso imaginário”

Pedro Sobrado Pode falar um pouco sobre a génese deste espectáculo, ou ela é tão longínqua que exigiria um grande esforço genealógico?

Ricardo Pais A génese talvez seja, de facto, um tanto longínqua… Mas valerá a pena dizer que, quando há um ano estivemos no Brasil a apresentar o Turismo Infinito, me perguntaram porque é que nós não fazíamos um espectáculo de fado “a sério”. Ao que respondi: “Mas já fizemos várias coisas de fado a sério!” Referia-me não só àqueles felicíssimos cruzamentos que fizemos com o Mário Laginha nas Raízes Rurais. Paixões Urbanas [1997] – e que me parecem fazer a redenção daquilo a que miseravelmente se chama “música de fusão” –, mas também ao Cabelo Branco é Saudade [2005]. Seja como for, essa proposta dos nossos amigos brasileiros aconteceu porque a identificação do público de São Paulo com o Turismo Infinito e com o Fernando Pessoa foi absolutamente fascinante. E boa parte do fascínio decorreu do facto de as pessoas ouvirem portugueses a dizer Fernando Pessoa. Portanto, quando apresentámos o Turismo Infinito com a “escola” que é a do Teatro São João – há que reconhecer que não é um grupo qualquer de actores que granjeámos para levar ao Brasil; é um conjunto de pessoas que tem vindo ao longo dos anos a exercitar como se diz e porque se diz e quanto se diz – foi uma coisa completamente hipnótica. Pela minha parte, acho que se fazem poucas coisas “a sério” sobre o fado, porque não há muito por onde fazer: o fado são três ou quatro coisas; depois, é a imensa variedade da interpretação. Ele tem os seus próprios circuitos e meios e lugares. Mas a verdade é que fiquei a pensar naquilo muito seriamente. Como um projecto que o Fabio Iaquone tencionava fazer sobre mim (e que curiosamente começou por se chamar Sombras) foi suspenso, propus ao Nuno Carinhas fazermos uma coisa que correspondesse, na medida do possível, à encomenda brasileira: uma incursão no território da nossa língua, aí incluindo o fado. Pensando nisso, ocorreu-me que seria engraçado brincar um pouco às nossas próprias histórias, ao nosso próprio sistema lendário, com remissões para a Castro, para a mitologia sebástica, etc.



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